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A falta dos "microchips" e sua importância na produção dos veículos.

Fala-se muito sobre as incessantes paradas de produção das montadoras em 2021 e que uma das principais causas de tudo isso é a falta de componentes eletrônicos, em particular, dos semicondutores. Diferentemente do que se esperava durante a primeira metade deste ano, especialistas das grandes montadoras já afirmaram que este cenário, em 2022, não será muito diferente. Isso nos leva a falar um pouco sobre esses componentes cada vez mais presentes tanto na produção de carros, caminhões e motos, como também na fabricação de muitos acessórios e peças automotivos.

Uma coisa é certa, não importa o tamanho ou a relevância da empresa, a concorrência por esse tipo de componente é mundial! Estima-se que a crise de abastecimento de semicondutores, dentre outros componentes, deve gerar para as montadoras do mundo uma perda de receita de mais de R$1,1 trilhão. Inacreditável, não é mesmo? Praticamente a mesma quantidade de microchips que são fabricados anualmente, cerca de 1 trilhão deles.

Como todos já sabem, a pandemia nos trouxe muitos problemas, tanto na saúde quanto na economia. Mesmo sendo uma triste verdade, quem hoje pode dizer que não sentiu isso na pele? Mas um desses impactos, em especial, está assombrando a indústria automotiva mundial. Mas afinal de contas, onde foram parar os “microchips”?

Para ajudar você a saber mais sobre esse momento complicado, buscamos as melhores informações disponíveis para falarmos um pouco sobre os microchips, que estão em baixa produção global devido à falta de matéria-prima e de insumos básicos para a produção de semicondutores.

Antes de responder à essa pergunta, precisamos voltar um pouquinho em nossa história recente, quando motivadas pela não produção em período de isolamento, as montadoras e as empresas de autopeças foram forçadas a adotar importantes cortes de custos, reduziram seus estoques, reprogramaram ou cancelaram pedidos de compras, e junto com tudo isso também chegaram as demissões. Com a baixa da produção somada à escassez de mão de obra, alguns setores passaram a produzir limitadamente, diminuindo as entregas de suas produções. O exemplo aqui é das empresas que fornecem os insumos e as que fazem o processamento de semicondutores, parte importante das matérias-primas para o ramo eletrônico.

Para ajudar, nesse período houve também uma grande demanda de trabalho home office (ou teletrabalho) e de estudos a distância (EAD), sem falar no próprio isolamento social, fazendo com que as pessoas ficassem mais tempo em suas casas, onde aumentaram as vendas de eletrônicos como computadores, smartphones, roteadores, games, TV’s, entre outros dispositivos que contribuem e muito para a qualidade do trabalho, do entretenimento e da vida no lar.

Com o aumento da procura, e consequentemente, da demanda de produção dos produtos eletrônicos, as empresas fornecedoras de semicondutores e de seus insumos passaram a produzir muito mais para esse segmento do que para as empresas montadoras de automóveis, até então, com suas vendas praticamente paralisadas.

Onde entra o microchip nessa história?

Apenas para começar a conversa, em alguns veículos novos são utilizados aproximadamente 1.400 componentes da classe dos semicondutores. Você sabia disso? E porque dentro do período pandêmico houve uma baixa demanda na venda de automóveis, as montadoras passaram a solicitar cada vez menos microchips para as suas produções de veículos. Passado o período mais difícil, o setor automotivo reagiu consideravelmente com a retomada do crescimento das vendas de automóveis, porém, o abastecimento das linhas de montagem não acompanhou o crescimento, uma vez que pedidos de compra e a previsão de consumo haviam sido reduzidos.

Então, começa aqui o aumento da busca e a concorrência pelo fornecimento de microchips automotivos pelo mundo, o que criou um cenário nunca visto antes, pois toda a cadeia de produção desses componentes com base em semicondutores se encontrava em baixa, justamente pelas reprogramações de demanda do período anterior. Inicia-se então um complicado e longo período de desabastecimento.

É por depender dos mesmos insumos e semicondutores presentes em todos os produtos eletrônicos que a fabricação dos microchips para o setor automotivo passou a ficar mais difícil. Como falaremos mais adiante, até mesmo recursos naturais como a água, estão faltando para a indústria de transformação do silício, principalmente na Ásia.

Algumas montadoras cogitaram até mesmo mudar a composição de alguns modelos de veículos, tirando um pouco mais das tecnologias que dependem dos microchips, enquanto outras, tiveram uma programação melhor e conseguiram manter um estoque de segurança antes mesmo dessa crise, então conseguiram manter as suas linhas de produção em um em ritmo “quase” normal.

Mas afinal, para que serve um microchip?

Os microchips são utilizados em diversas funções nos veículos, que vão desde entretenimento e segurança, até direção autônoma, agregando mais tecnologia, melhorando a interação e incluindo conectividade entre o veículo e o condutor.

E quais são os tipos de microchips?

Usamos como exemplo o “Microcontrolador” e o “Microprocessador”, pois ambos estão presentes na maioria dos aparelhos eletrônicos e até mesmo nos automóveis. A diferença entre um e outro é que o Microcontrolador é um circuito integrado que contém um núcleo de processador e é utilizado para tarefas mais simples, como controle de luminosidade, temperatura, temporização, leitura de sensores, etc. e faz a mesma tarefa durante toda a sua vida. Já o Microprocessador é um circuito integrado utilizado para tarefas que requerem maior processamento, como jogos, gráficos e também é responsável por cálculos e tomadas de decisões mais complexos de um computador. Pensar em um veículo autônomo, ou semiautônomo, sem um Microprocessador, é impossível. Concorda?

Do que é feito um semicondutor e como é fabricado?

Os semicondutores são materiais sólidos que podem ser de silício ou germânio. O silício, que é encontrado na areia, acaba sendo o mais utilizado na área eletrônica, por ter uma ligação química mais eficaz e abundante. Sua fabricação consiste em várias etapas, sendo elas: deposição, remoção, padronização e modificação das propriedades elétricas.

Somente a maior das fabricantes no mundo, que fica em Taiwan, necessita do equivalente a mais de 60 piscinas olímpicas de água limpa para garantir a produção de apenas 1 dia, cada piscina comporta cerca de 2 milhões de litros de água. Porém, Taiwan passou em 2021 por um período de seca que ficou marcado como o pior dos últimos 50 anos.

E quais são as empresas fabricantes de semicondutores?

Uma delas é a empresa TSMC, com sua sede localizada em Hsinchu Science Park, em Taiwan, sendo essa a maior fabricante independente de semicondutores mais modernos, responsável por cerca de 40% da produção mundial. Em sequência temos a UMC, SMIC, Samsung, Intel, entre outras. São cerca de 10 empresas no mundo que possuem tecnologia para esse tipo de produção.

Quais são as iniciativas das fabricantes para atender às demandas?

As fabricantes de microchips correm para aumentar a capacidade de produção. A própria TSMC fez grande investimento em sua sede para aumentar a produção, já a Intel, anunciou grandes investimentos na construção de novas fábricas, mas já anunciam que os resultados não serão tão rápidos, e neste caso, teremos um longo período até que se estabilizem a oferta e a demanda.

As empresas de insumos e semicondutores, e as montadoras, tentam mudar o sistema de contrato para o fornecimento a longo prazo, e não a curto prazo como é feito hoje na área automotiva, saindo de 21 semanas em média para atender um pedido, para até mais de 40 semanas. Além disso, há um comprometimento de investir na expansão da capacidade de fabricação desses componentes, tanto pela iniciativa privada, como pelos governos dos países mais ricos, como Alemanha e Estados Unidos.

É por isso que cada empresa deve criar estratégias para suas produções, assim como a KOSTAL, que também depende de semicondutores e tomou a postura de superar as expectativas com trabalho forte e com a consciência de que essa fase logo passará. Procuramos atender nossas demandas com a mesma qualidade e dedicação, dentro das limitações do período. Sabemos que as coisas não serão como antes, mas acreditamos que poderá será melhor! A todos que nos acompanharam até aqui, desejamos que continuem se cuidando e que tenham sucesso, que adotem um planejamento eficaz em seus negócios e que não desistam de seus projetos, apenas adapte-os para essa nova realidade!

Autor: Rafael Martins de Almeida

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